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Arte em Dobro estréia no Arquivo Geral

Obra inédita de artista da galeria será cenário para a mostra, que acontece paralelamente à Bienal Internacional de São Paulo

Há três anos a Arte em Dobro vem consolidando sua importância no cenário da arte contemporânea brasileira. Depois de estrear com sucesso, em maio deste ano, na SP Arte – Feira Internacional de Arte Moderna e Contemporânea de São Paulo, a galeria participará da segunda edição do Arquivo Geral, que reunirá obras de 100 artistas das 14 principais galerias cariocas, no período de 30 de setembro a 29 de outubro, Centro de Arte Hélio Oiticica.

O diferencial da Arte em Dobro é a busca de talentos de todo o Brasil. Seu acervo conta com obras de artistas mineiros, baianos, goianos, paulistas, cearenses, capixabas, além dos fluminenses. Os talentos muitas vezes são descobertos em visitas a ateliês fora do estado do Rio. Alguns artistas, até então pouco conhecidos, são indicados e apresentados às marchands Luciana Caravello e Cristina Magalhães pelos próprios artistas que são representados pela galeria, abrindo espaço para uma lista de novos talentos. Assim, a galeria ajuda a ampliar a visibilidade da produção nacional e dar espaço a artistas com potencial ainda não explorado.

Com um histórico de 12 exposições realizadas, a galeria levará para a mostra as obras como o Relicário de Afetos feito com cobre, borracha, algodão, entre outros, do goiano Divino Sobral; uma fotografia com intervenção de bolas coladas em vidro, da carioca Claudia Bakker; O Piso Cúbico, do fluminense Felipe Barbosa; uma pintura à óleo sobre tela, da paulistana Mariana Palma; A Torre de Londres, feita com fita métricas, do cearense Luis Hermano; uma imagem impressa e fundida em uma placa de acrílico, do curitibando Walton Hoffmann. O artista goiano Marcelo Solá apresentará um trabalho inédito feito especialmente para o evento. Uma parede interna foi pintada com lápis, tinta óleo e colagens, convidando o público à reflexão sobre os contrastes. Solá está com a exposição coletiva “O Centro na Borda”, na Arte em Dobro, até o dia 20 de outubro, com Divino Sobral e Carlos Sena.

A primeira edição do Arquivo Geral aconteceu em 2004. A proposta da exposição é enriquecer o circuito carioca de artes plásticas, já que grandes nomes internacionais da arte contemporânea estarão de passagem pelo Brasil, por causa da Bienal Internacional de São Paulo. A intenção é que o Arquivo Geral se torne um evento periódico no calendário das artes visuais da cidade do Rio de Janeiro.

Sob curadoria de Paulo Venâncio Filho, o Arquivo Geral começa em 30 de setembro e vai até 29 de outubro. Além da Arte em Dobro, outras sete galerias estrearão na segunda edição do evento.

Perfis

Conheça os artistas da Arte em Dobro que estarão no Arquivo Geral:

Claudia Bakker

Recentemente, a carreira da artista plástica foi marcada pelas foto-performances, realizadas nos jardins de fundações e museus como o Jardim da Bienal de Veneza (Itália), o da Fundação Serralves, no Porto (Portugal) e do Museu do Açude, no Rio de Janeiro. Mestre em Comunicação e Tecnologia da Imagem, Claudia já apresentou fotos e instalações em oito exposições individuais e 18 coletivas e realizou dois curtas-metragem.

Divino Sobral

A obra do autodidata Divino Sobral abrange desenho, pintura, escritura, objeto, escultura, instalação e performance e reúne elementos de sua memória pessoal entrelaçados com a mitologia e com a história. Em suas instalações, utiliza redes tecidas com cabelos, livros fossilizados pela imersão em cera; roupas oxidadas e bordadas e outros elementos que incorporam suas narrativas como desenhos. Além de ser artista plástico, o goiano desenvolve trabalhos como pesquisador e curador independente e escreve textos críticos. Está em cartaz, na Arte em Dobro, com a exposição “O Centro na Borda”, na companhia de dois outros artistas goianos: Carlos Sena e Marcelo Solá.

Felipe Barbosa

O artista plástico tem apenas 26 anos e tem investido nas bolas como matéria prima e inspiração. Felipe Barbosa transforma o primeiro brinquedo de toda criança em grandes painéis, como o que utiliza gomos de bolas de diferentes marcas. O artista também constrói bolas a partir de inusitadas matérias-primas, como palitos de fósforo e pontas de lápis. Suas obras já integram coleções internacionais, como a Cisneros e o artista vem participando de feiras internacionais, como a Arco, em Madri. Em julho, fez uma retrospectiva de sua carreira na Arte em Dobro, com a exposição “Construtivismo Low Profile”.

Luiz Hermano

O artista cearense utiliza as mãos para tramar objetos corriqueiros ilustrados com números, letras e signos. Luiz Hermano é, hoje, um dos artistas jovens de maior presença em coleções particulares e museus. Sua obra já foi exposta em Paris, Berlim, Madri, Lisboa, Havana, Seul, Santiago, e Porto Rico. As peças de Hermano revelam o sujeito e trazem referências à infância do artista. Ele considera que sua obra construtivista é uma tentativa de diálogo com a geração de Hélio Oiticica e Lygia Clark.

Marcelo Solá

Marcelo Solá é radical quando o assunto é cor: ou usa todas ou opta pelo preto e branco. Seus desenhos - aprimorados desde a infância – e instalações convidam à reflexão sobre os contrastes. O goiano fez curso de artes plásticas na Escola de Artes Veiga Valle e também foi orientado por Carlos Fajardo em São Paulo. Solá já participou de diversos salões de arte no Brasil e está em cartaz, na Arte em Dobro, com a exposição “O Centro na Borda”, na companhia de dois outros artistas goianos: Divino Sobral e Marcelo Solá.

Mariana Palma

A paulista Mariana Palma abusa das cores e da minuciosidade dos detalhes em suas aquarelas e pinturas. Formada em Artes Plásticas pela FAAP, a artista plástica já realizou exposições individuais em Florianópolis, Recife, Curitiba, Ribeirão Preto, Campinas e São Paulo. Só em 2006, Mariana participou de sete coletivas. Antes disso, suas obras já puderam ser vistas em 21 exposições coletivas. Mariana Palma recebeu, em 2003, o prêmio Exposição Individual do SESC Ribeirão Preto e, em 2003, 2005 e 2006, recebeu o prêmio Aquisição do Museu de Arte Contemporânea de Campinas, do Museu de Arte de Ribeirão Preto e da Casa do Olhar, de Santo André, respectivamente.

Walton Hoffmann

Completando dez anos de carreira, o curitibano se prepara para expor o resultado de uma nova fase, em que a tecnologia é aliada do artista na confecção das obras. Na etapa que se encerra, ficam para trás as caixas de madeira com pinturas, inspiradas na arte de seus ancestrais escandinavos. Hoffmann é um dos idealizadores da exposição itinerante “Heterodoxia”, que reúne artistas da América Latina para levar a diversas cidades brasileiras as múltiplas faces da arte contemporânea. A exposição “Em busca da Terra do Nunca”, que aconteceu na Arte em Dobro em março, marcou uma nova fase na carreira do artista plástico, que conta agora com uma parceira inusitada: a tecnologia.