Com quatro esculturas, uma instalação, dois vídeos e fotografias, esta exposição marca os dez anos de trabalho de Wagner Malta Tavares (1964, São Paulo) exclusivamente dedicados à arte. A escultura Herói, que dá nome à exposição, é composta de um ventilador, no qual uma capa vermelha tremula indicando o voo de um super-herói. “O artista discute com humor nosso eterno desejo por heróis, patente na vasta genealogia da estatuária sobre o tema”, comenta Agnaldo Farias.
A produção de Malta Tavares revela seu interesse por ficção científica, teatro e mitologia, como universo de possibilidades na busca da identidade do homem contemporâneo. Por meio de luzes, vento e outros elementos não palpáveis partindo de corpos tridimensionais, suas peças provocam a percepção além da pura sensorialidade. “Em grande parte de minhas obras tento tornar visíveis aspectos fundamentais e estruturais da existência”, diz o artista.
As esculturas desta exposição produzem vento, estimulando assim, além do olhar, outros sentidos para contemplá-las. São quatro peças de grande formato feitas com circuladores de ar industrial. Em duas delas (Ventania 1 e Ventania 2), seqüências de hélices são acionadas por uma fonte de vento de alta potência: à medida que as hélices afastam-se da origem, o giro fica mais fraco. Já Hermes, uma homenagem ao deus grego de inteligência e movimentação notáveis, segundo Farias, indica “a contraposição mítica ao sedentarismo a que a maior parte de nós está condenada”.
Na instalação Um por todos, seis pequenos ventiladores de computador são colocados suspensos no centro geométrico da sala. Apenas um deles está ligado à força, seu vento faz com que as outras pás sejam acionadas, porém com resultados distintos, evidenciando as diferentes relações que cada um deles estabelece com a fonte geradora de movimento.
Uma diversão, um tormento, uma ocupação é o título dos dois vídeos, de 3 e 14 minutos. O primeiro traz a imagem de uma casa, bem ao alto de um morro, com a particularidade de ter cinco portas e nenhuma janela. Nas portas cortinas brancas impedem a visão de sua parte interna. Num dado instante as cortinas começam a voar como se o vento viesse de dentro da casa. Ao se levantarem, as cortinas revelam o lado interior do tecido que é prateado. Elas tremulam por dois minutos e meio até que voltam para sua situação de repouso.
Já no segundo vídeo, a mesma casa é vista de uma grande distância durante o dia. Quando a noite vai se aproximando, gradualmente pode-se divisar uma luz dentro da casa que se assemelha à luz do céu. À medida que escurece o dia, a luz se torna mais visível, as cores do céu vão mudando, mas o céu de dentro da casa permanece o mesmo. Chega a escuridão total e só a luz que escapa das portas pode ser vista, até que ela se apaga, e o som dos últimos 30 segundos do primeiro movimento do concerto nº3 para piano e orquestra de Beethoven substitui a visualidade pelo som. Nos últimos 5 segundos, a luz volta com mais intensidade e coincide com os últimos acordes da música. Grande parte da série de fotografias apresentada na exposição refere-se aos vídeos.
Desde 1998 Wagner Malta Tavares desenvolve sua obra em diferentes suportes: vídeo, escultura, fotografia, desenho, colagem, performance e instalação. Muitos de seus trabalhos fazem uma conexão original, mais não inusitada, entre heróis da cultura pop quadrinhos, desenhos animados ou filmes de super-heróis, com heróis épicos da cultura clássica; daí o constante diálogo entre sua obra e a literatura. Autores como Pirandello, Beckett, Shakespeare e o teatro clássico de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, já emprestaram títulos e foram mola propulsora de alguns importantes trabalhos do artista. “Esse universo referencial tem por objetivo falar da finitude como elemento ontológico, de sua passagem para o imaginário como mecanismo de defesa e, através da elaboração mito-poética, apreender e transformar a inevitabilidade em luta pela vida”, comenta o artista.
Wagner participou de exposições individuais em galerias do Rio e de São Paulo, esteve em coletivas no Brasil e no exterior como Centro Universitário Maria Antonia, CCSP, FuNARTE RJ, projeto itinerante Rider Project de Nova Yorque em Chicago, e Accident no Mnac em Bucareste. Realizou intervenções urbanas em cidades como São Paulo, Veneza, Chicago e mais recentemente no Rio de Janeiro. Ganhou diversos prêmios, dentre eles Prêmio Interferêncais Urbanas no Rio, Prêmio de Escutura Pública em Guaíra, Projéteis de Arte da FuNARTE, Bienal de Santos, foi finalista do Prêmio Marcantonio Villaça e ganhou a bolsa Iberê Camargo em 2006. Entre 2001 e 2004, fundou e dirigiu a galeria independente 10,20x3,60.
Exposição: Herói – Wagner Malta Tavares
Abertura: 17 de março, às 20h (convidados)
Até 05 de maio de 2010, de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) - Pinheiros SP Fone: 11.2245-1900